Qinho segue o passo de Silva e recicla Marina com charme em EP eletrônico

Seguindo o passo de Silva, que canta o repertório de Marisa Monte em show e disco, Qinho – nome artístico do cantor, compositor e músico carioca Marcus Coelho Coutinho – recorre ao cancioneiro de Marina Lima para tentar ampliar a própria visibilidade no universo musical brasileiro. O EP Fullgás apresenta quatro registros originados do show feito pelo artista para o programa Versões, do Canal Bis.


À frente da banda VulgoQinho&OsCara de 2004 a 2009, Qinho vem acenando para o pop na carreira solo desde o segundo álbum, O tempo soa (2012), mas tem esbarrado na opacidade da voz e da produção autoral como compositor. Em Fullgás, disco produzido por T.R.U.E. (dupla formada pelo tecladista Gui Marques com o próprio Qinho), o artista elimina o problema de repertório, dando voz a quatro sedutoras músicas gravadas por Marina, uma das mais perfeitas e refinadas traduções da música pop brasileira.


Eficaz, o canto de Qinho se ajusta ao tom sintético dos beats de Carlos Sales, Gui Marques, Savio de Queiroz. Sales toca também bateria nas quatro gravações enquanto Marques pilota os teclados e o baixo synth. A moldura eletrônica soa natural em obra que ainda é moderna, sem jamais parecer datada. E, justiça seja feita, Qinho preserva as arquiteturas melódicas de Charme do mundo (Marina Lima e Antonio Cicero, 1981), Fullgás (Marina Lima e Antonio Cicero, 1984), Uma noite e 1/2 (Renato Rocket, 1987) e Criança (Marina Lima, 1991).


A elegância dos timbres também contribui para o bom resultado do EP gravado, mixado e masterizado por Gui Marques no estúdio Frigideira, na cidade do Rio de Janeiro (RJ). Não se ouve um bate-estaca linear, mas grooves que realçam a linha do baixo e a marcação da bateria.


Composição que deu título ao álbum de 1984 em que Marina incorporou a eletrônica à discografia, Fullgás é a música que mais bem se enquadra nos antenados beats contemporâneos do disco. Em contrapartida, Uma noite e 1/2 perde aquele calor pop, solar, típico de verão carioca.


Já Criança, apesar dos beats inventivos, é a faixa que mais se aproxima do clima da gravação original de 1991, até por ser música de álbum, Marina Lima, em que a cantora investiu com criatividade nos beats eletrônicos, sem os vícios da década de 1980. Por fim, Charme do mundo reafirma a habilidade de Qinho de reavivar o repertório de Marina sem se afastar por demais da matriz de música já moderna na essência. Em outras palavras, Qinho soube seguir o passo de Silva e recicla hits de Marina Lima com charme e com o devido respeito à obra. (Cotação: * * *)


(Crédito da imagem: Qinho em foto de Pietro Baroni. Capa do EP Fullgás. Arte de Cubiculo)

Categoria:Diversidades

Deixe seu Comentário